Consumo de açaí e caldo de cana aumenta incidência de Doença de Chagas no Brasil

Patologia é a terceira causa de insuficiência cardíaca no Estado de São Paulo

Cerca de 20 milhões de pessoas sofrem de Doença de Chagas na América Latina. No Brasil, o número pode chegar a 5 milhões e essas estatísticas crescem a cada ano. Por isso, a 1ª Diretriz Latino-Americana sobre Doença de Chagas foi amplamente debatida no XXXII Congresso da SOCESP.

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2005 e 2008, foram registrados 453 novos casos em 11 estados. “De lá para cá esse número só aumentou. Em 2010, foram 300 novos casos na região Norte. Caiu a contaminação pelo barbeiro, mas aumentou por ingestão oral, como o consumo de açaí e caldo de cana com as fezes do inseto, é a chamada Doença de Chagas Aguda”, explica Dirceu Rodrigues de Almeida, professor doutor em Medicina (Cardiologia) pela Universidade Federal de São Paulo.

Cerca de 60% das pessoas infectadas não desenvolvem a doença, que se manifesta em outros 40% através do inchaço do coração, esôfago ou intestino. A Doença de Chagas acomete principalmente as pessoas jovens, mão de obra ativa que é obrigada a se aposentar precocemente, o que provoca um forte impacto econômico na sociedade. “Geralmente são pessoas de baixo poder aquisitivo”. O cardiologista revela ainda que no Estado de São Paulo, considerado pólo de imigração, a Doença de Chagas é a terceira causa de insuficiência cardíaca.

“A diretriz serve para orientar os médicos brasileiros que muitas vezes só diagnosticam Chagas quando a doença está em estágio avançado, e que precisam estar alertas para os sintomas precoces, antes que se instale a insuficiência cardíaca. Embora a moléstia não tenha cura, os tratamentos disponíveis como o marca-passo e até mesmo o transplante prolongam a vida do paciente por muitos anos”, conclui Almeida.

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