Holter 24 horas: o espião do coração

“Um dos mais completos e modernos exames cardiológicos é o Holter 24 Horas, um espião do coração que detecta alterações e reações que outros métodos não percebem”, afirma o cardiologista Fábio Sândoli de Brito, presidente do XXVII Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

O mais moderno Holter é um mini-gravador digital, desenvolvido no Brasil, que pesa apenas 90 gramas, do tamanho de um cartão de crédito, da altura de uma caixa de fósforos, que registra os dados em um cartão semelhante ao da câmera fotográfica.

Preso à cintura da pessoa, ou no bolso da camisa, é conectado ao Tórax por fios e eletrodos, e registra o batimento cardíaco durante as atividades de rotina, como trabalhar, discutir, andar, correr e dormir, no ambiente natural da pessoa, sob as mesmas condições que provocaram sintomas, ou suspeita de doenças. Também pode ser usado em atividades especiais, como saltar de paraquedas, pilotar carro de corrida e fazer sexo.

Várias doenças podem ser diagnosticadas pelo Holter, mas é mais indicado para Arritmias, ou Disritmias, caracterizadas por alterações nos batimentos cardíacos. Também é útil na síncope porque pacientes com um ou mais episódios de desmaio, em geral, quando chegam ao médico, estão bem e os exames não acusam problemas. Nesses casos, acompanhar o coração por 24 horas pode detectar Arritmia grave, o que explica o desmaio.

O exame mostra ainda como o coração está após uma cirurgia, uma Angioplastia, ou um Infarto, indicando se a pessoa pode voltar à sua vida normal. Também são beneficiados os portadores de marca-passo e de desfibriladores, aparelhos ajustados e programados com base nas informações do Holter.

Serviços médicos avançados usam gravadores digitais e transmitem os dados via Internet, o que permite analisar exames com rapidez e de qualquer local. Porém, o aparelho mais comum, no Brasil, usa fita cassete, é similar a um tijolo e pesa um quilo. Desde que chegou ao país, em 1972, o Holter evoluiu muito. Hoje, existem estudos para torná-lo ainda menor e à prova d´água para avaliar a atividade cardíaca na natação e no mergulho.

O nome do exame veio de Norman Holter que, em 1949, transmitiu a uma distância de 15 metros um sinal de Eletrocardiograma, usando um equipamento levado pelo paciente em uma mochila, que pesava cerca de 40 quilos. Durante o projeto Apolo, da NASA, a necessidade de acompanhar o Ecocardiograma dos astronautas levou à evolução da idéia: gravar o Ecocardiograma e analisá-lo posteriormente.

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