Nutrição e hipertensão

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma doença poligênica e multifatorial, que pode causar lesão nos chamados órgãos-alvo. É considerado um problema de Saúde Pública e apresenta custos elevados, em função das suas complicações: acidente vascular cerebral, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, insuficiência renal crônica e doença vascular de extremidades. É caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA), sendo para adultos a seguinte medida de PA: ≥ 140 mmHg de pressão sistólica e ≥ 90 mmHg de pressão diastólica. Os principais fatores de risco são: idade, gênero, etnia, excesso de peso e obesidade, ingestão elevada de sal, ingestão de álcool, sedentarismo, fatores sócio-econômicos e genéticos.

O objetivo da prevenção e tratamento da hipertensão é reduzir a morbimortalidade cardiovascular por meio de modificações do estilo de vida que favoreçam a redução/controle da doença.

O tratamento não medicamentoso, que compreende mudanças no estilo de vida, como controle de peso, redução da ingestão de sódio e gorduras, maior ingestão de fibras, vitaminas e minerais, incluindo o potássio, redução do consumo de bebidas alcoólicas e café, prática de atividade física regular e abandono do tabagismo, é recomendado em todos os estágios da doença, associado ou não ao tratamento medicamentoso.

O atendimento nutricional visa identificar hábitos alimentares inadequados e incorporar hábitos saudáveis e permanentes. Para tanto se recomenda de forma geral evitar o uso do saleiro à mesa e a adição do sal aos alimentos durante a preparação, bem como o consumo de alimentos processados e industrializados, como:
- Embutidos: salsicha, presunto, salame, linguiça, mortadela, paio, calabresa, mortadela;
- Conservas e enlatados: milho, azeitona, palmito, ervilha, patês;
- Alimentos defumados: carne seca, bacalhau, toucinho;
- Salgados: croquetes, coxinha, empada, esfiha, quibes, salgadinhos de pacote;
- Alguns queijos como parmesão, roquefort, cheddar, provolone;
- Molhos prontos industrializados (catchup, shoyo, mostarda, inglês);
- Margarina e manteiga com sal;
- Sopas industrializadas, temperos e molhos prontos, caldos de carne.

O sal pode ser substituído por ervas, especiarias, vinagre e limão. Segundo as VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial é recomendável a ingestão de até 5g de sal/dia, considerando 3g (3 colheres de café rasas) de sal de adição e 2g de sal intrínseco dos alimentos. A mesma Diretriz sugere um padrão de dieta, conhecido como DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) para controle da hipertensão, sendo este padrão de dieta rico em potássio, cálcio, magnésio, fibras e proteína e reduzido teor de gordura saturada e colesterol.

O Departamento de Nutrição da SOCESP lembra que a prescrição dietética deve ser individualizada e respeitando sempre os hábitos alimentares, estilo de vida e condição socioeconômica. A participação de uma equipe multiprofissional é fundamental para o sucesso do tratamento.

Referências bibliográficas
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Por: Cibele Regina Laureano Gonsalves, Diretora do Departamento de Nutrição da SOCESP, gestão 2012 – 2013.

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