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Nutricionista Liliana Bricarello
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As dislipidemias, ou gorduras no sangue, relacionadas à Doença
Arterial Coronariana têm sido amplamente estudadas e demonstrou-se
que indivíduos que consomem grandes quantidades de gordura têm
níveis elevados de colesterol, maior incidência de aterosclerose
coronariana e aórtica, comparando com aqueles que não possuem
esse hábito alimentar.
As gorduras da dieta são importante fator regulador do metabolismo
das gorduras, já que a formação de quilomícrons
na mucosa intestinal depende diretamente do conteúdo de gordura
ingerida. Os ácidos graxos saturados são sólidos
na temperatura ambiente. As gorduras animais, com exceção
das provenientes de peixes, são ricas em ácidos graxos
saturados, assim como os óleos de palmeira e coco. O consumo elevado
de ácidos graxos saturados aumenta o colesterol total e o LDL-c,
o colesterol ruim.
É aconselhável que, no tratamento da hipercolesterolemia,
ocorra uma diminuição do consumo de gorduras saturadas
na dieta. As novas diretrizes do National Cholesterol Education Program
(NCEP, 2001) e da American Heart Association preconizam uma ingesta de
gorduras saturadas até 7% do valor calórico total. Assim,
aconselha-se a restrição do consumo de gordura animal,
como carnes gordurosas, embutidos, vísceras, leite e derivados,
e gorduras vegetais: polpa de coco e de alguns óleos vegetais,
como coco e dendê.
Colesterol
O colesterol dietético aumenta a colesterolemia no sangue em
várias espécies animais, incluindo os seres humanos. Em
humanos, a absorção de colesterol é limitada em
aproximadamente 40% do colesterol ingerido, o qual chega ao fígado
transportado pelas partículas residuais de quilomícrons.
Há diferenças interindividuais amplas (18 a 60%) na absorção
intestinal de colesterol. A maioria da população é hiporresponsiva
e a minoria é
hiperresponsiva à dieta.
Pessoas com colesterol elevado no sangue devem evitar alguns alimentos:
carnes gordas, embutidos (salsicha, lingüiça, bacon e torresmo),
vísceras (fígado, rim, miolo e miúdos), pele de
aves, frutos do mar (camarão, lula, ostra, lagosta, polvo e marisco),
gema de ovo, frios, leite integral e derivados, biscoitos amanteigados,
folhados, sorvetes cremosos e chantilly. As novas recomendações
de colesterol priorizam que devem contribuir em < 200 mg/dia das calorias
totais na dieta diária.
Ácidos graxos poliinsaturados
Estas gorduras se encontram em estado líquido (óleos),
na temperatura ambiente. Existem dois tipos de ácidos graxos poliinsaturados,
os representados pelas séries ômega-3 (a-linolênico,
eicosapentaenóico-EPA e docosahexaenóico-DHA) e ômega-6
(linoléico e araquidônico).
O ácido linoléico é essencial porque nosso organismo
não o fabrica e é o precursor dos demais ácidos
graxos poliinsaturados da série ômega-6. A substituição
dos ácidos graxos saturados por ácidos graxos poliinsaturados
reduz o colesterol total e o LDL-c sanguíneo.
Os ácidos graxos ômega-3 são encontrados em peixes
de águas profundas e frias e sua concentração depende
da composição do fitoplâncton do qual os peixes se
alimentam. As fontes de ácido a-linolênico são os
tecidos verdes das plantas, do óleo de canola e de soja. Os óleos
de peixe ricos em ácidos eicosapentaenóico e docosahexaenóico
inibem a síntese hepática de triglicérides. Os ácidos
graxos ômega-6 são encontrados nos óleos vegetais,
exceto de coco, cacau e palma (dendê). As novas recomendações
indicam que estes ácidos devem participar em até 10% das
calorias totais diárias.
Ácidos graxos monoinsaturados
O principal ácido graxo monoinsaturado é o oléico,
amplamente encontrado na natureza. O ácido oléico exerce
sobre a colesterolemia um efeito neutro. No entanto, tem se observado
que as dietas ricas em ácido oléico aumentam o HDL-c, o
colesterol bom, e podem reduzir o nível de LDL-c (1,2). Por isso,
o ácido oléico está sendo cada vez mais utilizado
em substituição à gordura saturada, visto que permite
manter um aporte diário de gordura suficiente para que a dieta
seja palatável, sem efeitos indesejáveis sobre a colesterolemia.
Os alimentos que apresentam maior conteúdo de ácido oléico
são o óleo de oliva (65 - 80%), óleo de canola (65
70%) e o abacate (45 50%). Os ácidos graxos monoinsaturados
devem participar em até 20% das calorias totais por dia, conforme
as novas recomendações (4,5).
Liliana Paula Bricarello
Departamento de Nutrição - SOCESP
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