A população está alarmada com a
epidemia de Dengue. Dados recentes dão conta de que foram registrados,
no decorrer desse ano, milhares casos da doença, com várias
mortes. O medo se justifica, já que todos conhecemos alguém,
amigo ou familiar, que contraiu a doença. Ao menor sinal de
infecção, deve-se procurar um serviço médico
para orientações e para a confirmação do
diagnóstico visando ao tratamento adequado.
As medidas de prevenção devem ser tomadas por toda a
população, e as autoridades da saúde (municipais,
estaduais e nacionais) estão demonstrando um esforço
considerável para conter o mal. Mas há outro inimigo
mais perigoso rondando por aí. Enquanto a Dengue ocupa as manchetes,
ele ataca sorrateiro. E, assim, comendo pelas beiradas, a morte cardíaca
súbita ceifa milhares de vida no nosso meio.
Os números são bem alarmantes que os da
Dengue: de todas as mortes que ocorrerem no país a cada ano,
cerca de 30% são por causas cardíacas. E dessas calcula-se
que a metade ocorre subitamente. Enfim, enquanto a Dengue faz tanto
barulho, a morte súbita contabiliza milhares de mortos no Brasil
todo... E, mesmo assim, quase não se fala no assunto.
Continuando a analogia com a virose, é muito comum
lembrar de um amigo ou parente que tenha falecido subitamente. As causas
para a morte súbita podem ser variadas, embora estejam relacionadas à aterosclerose.
Para combatê-la, a prevenção é fundamental
- detecção de hipertensão, diabetes, colesterol,
etc. Até aqui, parece haver semelhanças entre a Dengue
e a morte súbita. Mas, se no caso da infecção
a pessoa acometida tem tempo de procurar um serviço médico,
se ocorre uma parada cardíaca, a chance de chegar a um hospital é mínima.
O tempo, nesse caso, é crucial. A cada minuto em parada cardíaca
as chances de sobrevivência diminuem em 10%. Assim, se a pessoa
não for atendida em, no máximo, 10 minutos...
Daí a importância da desfibrilação
precoce. Algumas cidades têm, pelo menos, certas leis que tratam
disso, como as que obrigam que locais de grande concentração
tenham um desfibrilador. No entanto, as leis não bastam. Precisamos
conhecer o inimigo para lutar contra ele com todas as armas.
A desinformação é um terreno fértil
para a falta de ação, assim como a água limpa
e parada é para a proliferação do Aedes aegypti.
Por isso, a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas promove
no dia 12 de novembro o I Dia Nacional de Prevenção das
Arritmias Cardíacas e Morte Súbita. Em todo o país
serão mobilizados serviços de saúde especializados
em arritmias cardíacas, visando a divulgar dados e, se possível,
a sensibilizar a população para as medidas preventivas
e para ações que visam a atacar o problema.
Um país que busca indicadores de saúde
dignos de nações desenvolvidas não pode deixar
que um problema tão sério esteja por aí, assombrando
silenciosamente a população e atacando impunemente e
de maneira sorrateira. Vamos sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2014,
portanto, temos condições de mudar o jogo, mas nada conseguiremos
se não houver a participação de todos.
Dr. Márcio Jansen de Oliveira Figueiredo
Ex-Diretor de Regionais - SOCESP
A Sociedade de Cardiologia do Estado
de São Paulo não oferece consultas pela Internet, ou por e-mails.
Além disso, as informações disponíveis neste site
não substituem o aconselhamento profissional.
SOCESP - Av. Paulista 2073, Conjunto Nacional, Edifício Horsa I -
15° andar, conj. 1511, São Paulo/SP CEP 01311-940 | (11)3179-0044