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Ao longo do tempo, a urbanização trouxe grandes benefícios
à população, aumentando a expectativa de vida, a
disponibilidade de alimentos e a melhora nos meios de transporte. Porém,
esses benefícios acarretaram mudanças no estilo de vida,
como o consumo elevado de gorduras, menor grau de atividade física,
estresse e tabagismo. Essas mudanças, por sua vez, provocaram elevação
da ocorrência de diabetes, hipertensão e obesidade fazendo
das doenças cardiovasculares a principal causa de morte no mundo.
A síndrome metabólica é um conjunto de anormalidades
que compreende a coexistência variável de obesidade, hipertensão
arterial, aumento da quantidade de insulina na corrente sanguínea
e elevação das taxas de triglicérides, levando ao
aparecimento de doenças cardiovasculares e aumentando o risco de
morte em até 2,5 vezes. Esta síndrome chega a ocorrer em
mais de 40% dos adultos com mais de 60 anos e não é desprezível
o acometimento de adultos entre 20 e 49 anos.
A predisposição genética, a alimentação
inadequada e a inatividade física estão entre os principais
fatores que contribuem para o surgimento da síndrome, cuja prevenção
é um desafio mundial contemporâneo com importante repercussão
para a saúde. Destaca-se o aumento da ocorrência da obesidade
em todo o Brasil e uma tendência, especialmente preocupante, em
crianças em idade escolar, em adolescentes e nas camadas de mais
baixa renda. A adoção precoce por toda a população
de estilo de vida relacionado à manutenção da saúde,
com dieta adequada e prática regular de atividade física,
preferencialmente desde a infância, é componente básico
da prevenção.
O Brasil tem deficiência de dados nacionais com relação
ao consumo alimentar da população, desta maneira, dados
do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas devem ser interpretados
com cuidado. Os estudos indicam que os alimentos e bebidas consumidos
fora de casa tendem a ser comparativamente mais ricos em gorduras, açúcares,
sal e álcool do que os consumidos nas refeições realizadas
em casa.
Em geral, por pessoa, decresce o consumo de alimentos de origem vegetal,
incluindo grãos, cereais, raízes, tubérculos e leguminosas,
e de alimentos com amido. A produção e consumo de alimentos
de origem animal, como carne e laticínios e, por essa razão,
proteína animal e gordura, aumentam, bem como a produção
e o consumo de óleos vegetais, gorduras, açúcar e,
em geral, os alimentos altamente energéticos, processados com gorduras
sólidas à temperatura ambiente, como manteiga, margarina,
e ainda açúcar e sal. Portanto, a falta de conhecimento
e de acesso à alimentação saudável e suas
conseqüências permanecem como desafios fundamentais de saúde
pública no Brasil.
A alimentação adequada para tentar combater a Síndrome
Metabólica deve:
- Permitir a manutenção do balanço energético
e do peso saudável.
- Reduzir a ingestão de calorias sob a forma de gorduras, mudar
o consumo de gorduras saturadas para insaturadas, reduzir o consumo
de gorduras trans (hidrogenada).
- Aumentar a ingestão de frutas, hortaliças, leguminosas
e cereais integrais.
- Reduzir a ingestão de açúcar livre.
- Reduzir a ingestão de sal (sódio) sob todas as formas.
A atividade física é determinante do gasto de calorias,
fundamental para o balanço energético e para o controle
do peso. A atividade física regular diminui o risco relacionado
a cada componente da síndrome e traz benefícios substanciais
para outras doenças, como pós-infarto e insuficiência
arterial periférica.
Boa alimentação e atividade física regular são
investimentos vitais e cruciais. Deve-se reagir contra as mudanças
do padrão alimentar para pior, afirmando que a alimentação
deve voltar ao tradicional e sem os modismos que a tornam menos saudável.
Os dados científicos disponíveis permitem concluir que:
É possível a aderência a mudanças no estilo
de vida e essas promovem redução na pressão arterial,
reduzem o risco cardiovascular e diminuem o risco de outras doenças
crônicas, como diabetes, alterações na taxa de gorduras
sanguíneas e osteoporose.
As medidas de prevenção devem ser implantadas para todas
as faixas etárias, incluindo crianças, visando adequação
à melhor alimentação e atividade física.
Dra. Cláudia Stéfani Marcílio
Dra. Luci Uzelin
Dr. Antonio Mattos
Dr Álvaro Avezum
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