Volume 18 -
Número 4 - Outubro
/ Novembro / Dezembro - 2008
Valvopatias AÓrticas
Na seção dedicada às valvopatias aórticas desta edição da Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, procuramos selecionar alguns temas de interesse, não só em avanços tecnológicos como também em aspectos controversos de tratamento ou fisiopatologia que pudessem ser úteis ao cardiologista clínico. Pudemos contar com a colaboração de renomados e experientes colegas, trazendo sua visão atualizada na área, além de sua contribuição pessoal nos assuntos abordados.
É sempre importante discutir as indicações de cirurgia no paciente assintomático com valvopatia aórtica grave, diante de uma infinidade de recursos diagnósticos não-invasivos atualmente disponíveis. A análise clínica judiciosa e sensata, associada ao emprego criterioso dos exames de imagem, ainda deve prevalecer sobre qualquer dado laboratorial isolado nessa tarefa.
Testes funcionais, a exemplo de ergometria, medicina nuclear e teste cardiopulmonar, têm tido participação cada vez maior na avaliação de pacientes com sintomas pouco característicos ou duvidosos, bem como na prescrição de exercícios no valvopata aórtico, e até mesmo auxiliando no momento da indicação cirúrgica.
O uso de vasodilatadores na insuficiência aórtica crônica em pacientes assintomáticos, incentivado no passado, teve sua indicação questionada na última diretriz americana. Entretanto, o tema continua controverso, em decorrência da ausência de grandes ensaios clínicos nessa área que possam responder às questões levantadas pelos estudos atuais.
Por outro lado, a grande expectativa gerada pelo uso de estatinas para deter a progressão da estenose aórtica degenerativa, pelo conhecimento da participação da aterosclerose nessa doença, parece não ter sido plenamente correspondida pelos resultados de recentes estudos, que ainda necessitam confirmação.
A intervenção percutânea no tratamento da estenose aórtica sem dúvida é um campo altamente promissor, que deve ganhar grande impulso nos próximos anos, como alternativa terapêutica em casos selecionados.
Por fim, a cirurgia cardíaca convencional continua ocupando seu lugar de destaque na cura definitiva das valvopatias aórticas. Consagrada há décadas, a cirurgia tem se beneficiado com o avanço tecnológico e com a criatividade, resultando em próteses com melhor perfil hemodinâmico e durabilidade, com técnicas mais sofisticadas e menos agressivas, a exemplo das cirurgias minimamente invasivas.
Esperamos que esses conhecimentos possam ser úteis aos nossos associados, no manuseio dos pacientes com valvopatias aórticas no presente momento. Ao futuro, cabe aguardarmos o desenvolvimento de estudos em larga escala, controlados e randomizados, com grande número de pacientes com valvopatia aórtica, à semelhança do que ocorre no âmbito da doença coronária, que possam esclarecer alguns pontos ainda não perfeitamente definidos na atualidade.
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