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SÍNDROME METABÓLICA: VALE A PENA O DIAGNÓSTICO?
Autor(es): MARIO JOSÉ ABDALLA SAAD
:: ÍNDICE
O termo síndrome metabólica é amplamente utilizado
em pesquisa e na prática clínica, e se refere à associação
de fatores de risco para doença cardiovascular relacionados à
resistência à insulina. Em 2005, uma revisão do tópico
aprovada pelo Comitê de Prática Profissional da Associação
Americana de Diabetes e também por um Comitê da Associação
Européia para o Estudo de Diabetes apontou questões pertinentes
em relação à síndrome metabólica, que
podem ser resumidas nos seguintes tópicos: 1. Os critérios
diagnósticos são ambíguos ou incompletos, e a base
racional para a escolha de limiares é mal definida; 2. O valor
de se incluir diabetes na definição é questionável;
3. A resistência à insulina como hipótese etiológica
unificadora é incerta; 4. Não há uma razão
clara para se incluir ou excluir outros fatores de risco cardiovascular;
5. O risco cardiovascular associado à síndrome parece não
ser maior que a soma das partes (cada fator de risco); 6. O tratamento
da síndrome não é diferente do tratamento de cada
um de seus componentes; 7. O valor médico do diagnóstico
da síndrome não é claro. Nesta revisão esses
tópicos são discutidos e conclui-se que é mais prudente
evitar o rótulo de síndrome metabólica, porque pode-se
transmitir a impressão de que a síndrome denota risco maior
que seus componentes ou que é mais grave que outros fatores de
risco para doença cardiovascular, ou que tem fisiopatologia única.
Todos os fatores de risco precisam ser individual e agressivamente tratados,
independentemente do diagnóstico de síndrome metabólica.
Descritores: síndrome metabólica;
resistência à insulina; fatores de risco cardiovascular.
METABOLIC SYNDROME: DOES IT EXIST?
The term metabolic syndrome is widely used in research and clinical practice,
and refers to a clustering of specific cardiovascular disease risk factors
related to insulin resistance. Recently a joint statement from the American
Diabetes Association and the European Association for the Study of Diabetes
evaluated this topic and found that the metabolic syndrome has been imprecisely
defined, there is a lack of certainty regarding its pathogenesis and there
is considerable doubt regarding its value as a cardiovascular disease
risk marker. They summarized the concerns regarding the metabolic syndrome
in the following topics: 1. Criteria are ambiguous or incomplete (rationale
for thresholds are ill-defined); 2. Value of including diabetes in the
definition is questionable; 3. Insulin resistance as the unifying aetiology
is uncertain; 4. No clear basis for including/excluding other cardiovascular
disease risk factors; 5. The cardiovascular disease risk associated with
the syndrome appears to be no greater than the sum of its parts; 6. Treatment
of the syndrome is no different than the treatment for each of its components;
7. The medical value of diagnosing the syndrome is unclear. In this review
these topics are discussed and it is concluded that clinicians should
evaluate and treat all cardiovascular disease risk factors without regard
to whether a patient meets the criteria for diagnosis of the metabolic
syndrome.
Key words: metabolic syndrome; insulin
resistance; cardiovascular risk factors.
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