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Uso de vasodilatadores na insuficiência aórtica crônica grave oligo ou assintomática: ainda uma questão em aberto
Autor(es): TARSO AUGUSTO DUENHAS ACCORSI, FLAVIO TARASOUTCHI
Na insuficiência aórtica crônica há sobrecarga de volume e pressão, que provoca uma série de mecanismos compensatórios, principalmente hipertrofia excêntrica no ventrículo esquerdo.
Essa complexa remodelação do ventrículo esquerdo faz com que o ventrículo dilatado se adapte à sobrecarga de volume, tornando-se complacente, ou seja, capaz de acomodar grande quantidade de volume com pressão de enchimento praticamente normal.
Com o melhor conhecimento da fisiopatologia da insuficiência aórtica crônica, passou-se a admitir a hipótese de que a redução do volume regurgitante e da pós-carga por meio de medidas farmacológicas, como a utilização de vasodilatarores arteriais (hidralazina, bloqueadores dos canais de cálcio e inibidores da enzima de conversão da angiotensina), poderia trazer benefícios ao ventrículo esquerdo, preservar a função ventricular, e postergar e até evitar a indicação de tratamento cirúrgico. Entretanto, a última diretriz norte-americana para tratamento das valvopatias considera o uso de vasodilatador na insuficiência aórtica crônica assintomática com função ventricular normal – recomendação classe IIb, nível de evidência B.
Descritores: vasodilatador; insuficiência aórtica crônica; função ventricular; tratamento clínico.
Vasodilators in asymptomatic chronic aortic regurgitation: still an open question
In chronic aortic regurgitation, there is a pressure and volume overload that causes a series of compensatory mechanisms, mainly left ventricular eccentric hypertrophy.
This complex left ventricular remodeling develops adaptation of dilated ventricular volume overload becoming complacent, able to accommodate large quantities of volume, with almost normal left ventricular filling pressures.
Through the best knowledge of aortic regurgitation physiopathology, a hypothesis was raised that pharmacological measures with hidralazin, calcium channel blockers and angiotensin-converting enzyme inhibitors could bring benefits to the left ventricle by decreasing the regurgitation volume and afterload, preserving the left ventricular function, postponing and even avoiding surgical treatment. However, the last American Heart Association guideline for valvopathies treatment considers the use of arterial vasodilator in asymptomatic aortic regurgitation with normal ventricular function – class IIb, level evidence B.
Key words: vasodilator; aortic regurgitation; ventricular function; clinical treatment.
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