Volume 19 -
Número 04 - Outubro / Novembro / Dezembro- 2009
Interface Cardiologia-Oncologia: O que é preciso saber?
Nesta edição da Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo é abordado um tema de grande relevância para a prática clínica, tanto na cardiologia como na oncologia. A coordenação dos artigos que compõem esse tema esteve a cargo de dois colegas dessas especialidades, um cardiologista e outro oncologista. Como não poderia deixar de ser, cada capítulo contou com a colaboração de cardiologistas e oncologistas (em um dos capítulos houve também a colaboração de urologistas), para que os conhecimentos fossem repassados para os leitores de forma amena. Para melhor compreender a importância do tema abordado, serão feitas algumas considerações:
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As doenças que mais matam hoje no mundo são as doenças cardiovasculares, seguidas das neoplasias.
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O cardiologista, dentro da sociedade, desempenha o papel de clínico geral, sendo, muitas vezes, procurado para um check-up completo. Assim, é muito importante que tenha noções de como elaborar um diagnóstico precoce de neoplasia. O cardiologista precisa aproveitar essa oportunidade para solicitar exames direcionados para esse fim.
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Cigarro: o inimigo comum. O fumante está sujeito a complicações graves relacionadas tanto às doenças cardiovasculares como ao câncer.
- As taxas de mortalidade por doença arterial coronária nos países desenvolvidos, em especial nos Estados Unidos, vêm sofrendo modificações profundas. Essas taxas (ajustadas para idade), após terem atingido um pico em 1968, têm caído pela metade. Dois fatores têm contribuído para esse declínio. Em primeiro lugar, quedas marcantes na prevalência de alguns fatores de risco cardiovascular, incluindo tabagismo, hipercolesterolemia e hipertensão arterial, vêm ocorrendo nas últimas duas décadas, embora a prevalência de obesidade e diabetes esteja aumentando substancialmente. E em segundo lugar, os tratamentos atuais para a doença arterial coronária estabelecida têm revolucionado o prognóstico para esses pacientes, destacando-se as terapias baseadas em evidência, incluindo uso de trombólise, técnicas de revascularização miocárdica e de intervenção percutânea, e inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona e estatinas.
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Embora as estratégias de manuseio das doenças cardiovasculares venham se mostrando bastante eficazes, alguns medicamentos e exames modernos tornaram-se polêmicos, com a possibilidade de induzirem neoplasias. Esse é o caso, por exemplo, das estatinas e da angiotomografia computadorizada de artérias coronárias. Tanto o oncologista como o cardiologista precisam conhecer essas adversidades.
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O cartoon que ilustra esta página mostra bem a relação entre coração e câncer!
Por fim, outro acontecimento que favorece a interface cardiologia-oncologia foi a construção, na cidade de São Paulo, de duas instituições respeitáveis e, por acaso, vizinhas “de muro”. Não existe em nenhum lugar do mundo duas instituições hospitalares, do porte do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor/HCFMUSP) e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), tão próximas fisicamente. E justamente duas instituições que tratam das duas doenças que mais matam no mundo. O número de pacientes que circulam nessas duas instituições é espantoso. Essa coincidência precisa ser aproveitada convenientemente, em especial no que se refere ao intercâmbio de conhecimentos científicos e de assistência.


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