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Cardiomiopatia periparto
Autor: Silméia Garcia Zanati, Meliza Goi Roscani, Beatriz Bojikian Matsubara.
:: ÍNDICE
A cardiomiopatia periparto é rara e se caracteriza por disfunção
ventricular esquerda e sintomas de insuficiência cardíaca,
que se manifestam no período periparto em mulheres previamente
saudáveis. A incidência de cardiomiopatia periparto
varia de 1 em 1.300 a 1 em 15.000 gestações. A etiologia
da cardiomiopatia periparto ainda é desconhecida, mas foram
propostas várias causas, como viral, autoimune e idiopática.
Os critérios diagnósticos consistem no desenvolvimento
da síndrome de insuficiência cardíaca no último mês
de gestação ou nos primeiros cinco meses pós-parto, ausência
de uma causa determinável de insuficiência cardíaca, e
ausência de doença cardíaca reconhecível anterior ao último
mês de gestação. Também fazem parte dos critérios diagnósticos
os seguintes achados ecocardiográficos: fração de ejeção
< 45% e/ou fração de encurtamento < 30% ou dimensão
diastólica final do ventrículo esquerdo > 2,7cm/m² de área
de superfície corpórea. Os fatores de risco para cardiomiopatia
periparto incluem idade materna avançada, multiparidade,
raça afro-americana, gemelaridade, hipertensão gestacional,
pré-eclâmpsia, e tocólise prolongada. A apresentação
clínica das pacientes com cardiomiopatia periparto é similar à
de outros pacientes com insuficiência cardíaca sistólica. O tratamento
também é semelhante à terapia medicamentosa indicada
para outras formas de insuficiência cardíaca sistólica. Cerca
de metade das pacientes com cardiomiopatia periparto recuperam
a função ventricular sem complicações. O prognóstico é
pobre em pacientes com cardiomiopatia persistente, requerendo
transplante cardíaco ou evoluindo para óbito. A persistência da
disfunção ventricular após seis meses indica cardiomiopatia irreversível
e piora da sobrevida. Gestações futuras são frequentemente
desencorajadas pela alta mortalidade e risco de recorrência.
Palavra-Chave:Cardiomiopatia periparto. Ecocardiografia.
Obstetrícia. Insuficiência cardíaca periparto. Cardiomiopatia
associada à gestação.
Peripartum cardiomyopathy
Peripartum cardiomyopathy is a rare disorder in which left
ventricular dysfunction and symptoms of heart failure occur
in the peripartum period in previously healthy women. Incidence
of peripartum cardiomyopathy ranges from 1:1,300 to
1:15,000 pregnancies. The etiology is unknown, although
viral, autoimmune, and idiopathic causes have been proposed.
The diagnostic criteria are new-onset heart failure in the
last month of pregnancy or until 5 months after delivery,
absence of determinable cause for cardiac failure, and absence
of a demonstrable heart disease before the last month
of pregnancy. The diagnostic criteria also include echocardiographic
findings such as ejection fraction less than 45%
and/or fractional shortening less than 30%, along with a left
ventricular end-diastolic dimension > 2.7 cm/m². Risk factors
for peripartum cardiomyopathy include higher maternal
age, multiparity, African American race, twinning, gestational
hypertension, preeclampsia, and long-term tocolysis. The
clinical presentation of patients with peripartum cardiomyopathy
is similar to that of patients with systolic congestive
heart failure. Early diagnosis and initiation of treatment are
essential for a successful outcome. Treatment is similar to
medical therapy used for systolic heart failure of any cause.
About half of the patients of peripartum cardiomyopathy recover
without complications. However, the prognosis is poor
in patients with persistent cardiomyopathy. Persistence of
ventricular dysfunction after 6 months indicates irreversible
cardiomyopathy and portends worse survival. Future pregnancies
are often discouraged because of the high mortality
rate and risk of recurrence of the disease.
Key words:
Key words:Peripartum cardiomyopathy. Echocardiography.
Obstetrics. Peripartum heart failure. Pregnancy-associated
cardiomyopathy.
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