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Volume 19 - Número 3 - Julho / Agosto / Setembro- 2009

:: Teste ergométrico após intervenção coronária percutânea e cirurgia de revascularização miocárdica
Autor: William A. Chalela, Rica D. Buchler, Andréa M. Falcão, Roberto Kalil Filho

:: ÍNDICE

No acompanhamento dos pacientes submetidos a revascularização do miocárdio por cirurgia ou intervenção coronária percutânea, algumas das preocupações são a oclusão das pontes, a presença de reestenose ou a progressão da doença, principalmente em pacientes assintomáticos. Desse modo, torna-se necessária a utilização de exames para detecção precoce desses eventos.

O teste ergométrico é um dos métodos não-invasivos utilizados para esse fim, sendo fácil, seguro e, principalmente, de menor custo quando comparado aos métodos de imagem. Entretanto, quando estudado em grupos selecionados, como em pacientes com apenas um vaso doente e com eletrocardiograma de repouso sem alterações, o uso do teste ergométrico mostrou bons resultados. Além disso, alguns parâmetros do teste ergométrico têm valor significativo para avaliação de pacientes revascularizados ou após intervenção coronária percutânea. Mais especificamente, foi demonstrado que o tempo de duração do exercício é capaz de predizer a presença ou não de reestenose e/ou novas lesões.

O teste ergométrico em indivíduos submetidos a intervenção coronária percutânea visa à abordagem não-invasiva da reestenose, fornecendo informações clínicas e prognósticas úteis na decisão clínica e no controle evolutivo. De acordo com dados publicados, 25% dos pacientes assintomáticos com reestenose apresentam isquemia silenciosa ao teste ergométrico.

A sensibilidade do teste ergométrico para diagnosticar reestenose é baixa, com valores que oscilam entre 40% e 50%. Meta-análise realizada relatou sensibilidade de 46% e especificidade de 77%, considerando reestenose lesão superior a 50%; quando considerado o porcentual de reestenose superior a 70%, a sensibilidade passou a 50% e a especificidade, a 84%.

Conclui-se que o teste ergométrico, a princípio, não é um exame que demonstra boa associação com reestenose ou novas lesões em pacientes após cirurgia de revascularização do miocárdio ou intervenção coronária percutânea. Todavia, quando realizado em grupos específicos e/ou quando interpretado de forma multifatorial, observam-se resultados satisfatórios.

Palavra-Chave: Teste ergométrico. Intervenção coronária percutânea. Cirurgia de revascularização miocárdica. Reestenose.


Stress testing after percutaneous coronary intervention and coronary artery bypass graft

One of the most relevant concerns in the follow-up of patients undergoing coronary artery bypass graft (CABG), or percutaneous coronary intervention, is either graft occlusion, restenosis or progression of the disease, mainly in asymptomatic patients. Therefore, diagnostic tests for the early detection of such events are required.

Stress testing is one of the easiest, safest and less expensive noninvasive strategies used for that purpose, especially when compared to the imaging techniques. However, when selected groups of patients are evaluated, such as those with single vessel disease and rest electrocardiogram without abnormalities, the use of stress testing provides good results. Furthermore, some of the stress testing variables are significantly valuable to evaluate patients after coronary artery bypass graft or percutaneous coronary intervention. More specifically, it has been demonstrated that the time of exercise duration predicts the presence or absence of restenosis and/or new lesions.

Stress testing provides a noninvasive management of restenosis for percutaneous coronary intervention patients, in addition to clinical and prognostic information which is useful in the clinical decision making and the follow-up. According to published data, 25% of asymptomatic patients with restenosis present with silent ischemia on a stress test.

Stress testing has low sensitivity to diagnose restenosis, with values ranging from 40% to 50%. A metanalysis reported sensitivity of 46% and specificity of 77% for a restenosis lesion greater than 50%; when restenosis was greater than 70%, sensitivity reached 50% and specificity 84%.

Our conclusion is that stress testing, at first sight, does not have a good association with restenosis or new lesions after CABG or percutaneous coronary intervention. However, when this method is used in specific groups and/or when it is multi-factorially interpreted, satisfactory results are observed.

Key words: Stress test. Percutaneous coronary intervention. Coronary artery bypass graft (CABG). Myocardial revascularization surgery. Restenosis.