Autor: Luiz Eduardo Mastrocolla, Japi Angelini de Oliveira Filho, Alexandre Murad Neto3, Eduardo Villaça Lima
:: ÍNDICE
A doença arterial coronária é a principal causa de morte nos países desenvolvidos e em crescente e alarmante frequência nos países em desenvolvimento, e muitos dos indivíduos portadores da doença e que têm implicações prognósticas importantes são assintomáticos. No entanto, a investigação clínica complementar por provas não-invasivas nesse grupo de indivíduos não encontra aceitação consensual e de relação custo-efetividade questionável, existindo recomendações não favoráveis em relação à aplicação dos testes de esforço como ferramenta de screening. Entre as evidências para a justificativa de tais posturas ressaltam-se as limitações das alterações do segmento ST desencadeadas durante e após o esforço para o diagnóstico de doença arterial coronária, especialmente em mulheres, resultando em investigação e tratamentos considerados não apropriados. Para as populações que se prestam à avaliação pelo teste ergométrico, reafirma-se a participação do teorema de Bayes, em que um teste diagnóstico não pode ser adequadamente interpretado sem a referência da prevalência da doença na população sob júdice, estabelecendo-se que a probabilidade pós-teste é função também, além da prevalência pré-teste, da sensibilidade e da especificidade. Ao lado do conhecimento de algumas limitações da análise do infradesnível do segmento ST em grupos populacionais específicos, como inabilidade em refletir a carga e a intensidade da isquemia miocárdica, presença de vícios de seleção nos estudos de literatura e utilização de padrão de referência inadequado, outras variáveis têm sido incorporadas na valorização prognóstica e diagnóstica dos testes de esforço: a) capacidade funcional; b) incapacidade da elevação normal da frequência cardíaca ao exercício ou incompetência cronotrópica; c) retorno ou recuperação lenta da frequência cardíaca nos primeiros minutos após a interrupção do esforço; e d) arritmia ventricular na fase de recuperação do teste ergométrico, agregando valor incremental ao processo de decisão clínica.
Palavra-Chave: Teste ergométrico. Capacidade funcional. Frequência cardíaca de recuperação. Incompetência cronotrópica. Insuficiência cardíaca.
New stress test variables in addition to the ST-segment and precordial pain. Change of paradigm?
Coronary artery disease is the leading cause of death in developed countries and has increased at an overwhelming rate in developing countries. However, many patients with prognostically significant coronary artery disease are asymptomatic. Nonetheless, the relatively poor accuracy of exercise electrocardiography to diagnose hemodynamically significant coronary disease has led to recommendations against the use of exercise testing as a screening tool. The limitations of the ST segment during and after exercise for diagnosing coronary disease in asymptomatic subjects, especially in women, may lead to unnecessary testing, overtreatment, and labeling. Post test likelihood of disease depends on prevalence, sensibility and specificity confirming the Bayesian argument. In addition to the limitations of ST-segment depression in some specific populational groups, such as the inability to reflect workload and degree of myocardial ischemia, the presence of verification bias and use of inappropriate reference standards, other variables have been incorporated in the prognostic and diagnostic evaluation of exercise testing, such as: a) functional capacity; b) chronotropic incompetence; c) slow heart rate recovery; d) ventricular arrhythmia during the recovery phase, adding value to the clinical decision-making process.
key words: Exercise test. Functional capacity. Heart rate recovery. Impaired chronotropic response. Heart failure.
|