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Autor:
Juliano de Lara Fernandes, Carlos V. Serrano Jr., Paulo Hoff
O uso de exames de imagem com radiação ionizante vem
crescendo de forma substancial na cardiologia nos últimos
anos, tendo sido multiplicado em até seis vezes o número
total de exames realizados atualmente, em comparação com
1980. Os riscos de câncer associados a esse aumento ainda
são incertos, mas a preocupação com o fato gerou diversas
publicações e estudos que se intensificaram nos últimos três
anos. A radiação por exames cardiológicos pode ser medida
de diversas formas, porém nenhuma delas diretamente em órgãos humanos. Assim, todas as estimativas de radiação são
baseadas em modelos teóricos, que tentam possibilitar extrapolações
entre os diversos métodos, diferentes formas de
exposição e efeitos sobre cada tecido. Esses efeitos biológicos
são particularmente foco de atenção, uma vez que a relação
entre carcinogênese e radiação foi bastante documentada
a partir dos efeitos de acidentes ou guerras prévias. Porém,
o uso desses modelos para se estabelecer o risco real de
desenvolvimento de neoplasias a partir da exposição a radiação
em exames radiológicos ainda é bastante controverso.
Nas situações de baixas doses, em especial, o uso de modelos
lineares pode superestimar esses riscos, embora, conservadoramente,
se saiba que não existem níveis mínimos considerados
totalmente seguros no que tange a essa exposição.
Diante desses fatos, o cardiologista clínico deve sempre pesar
a relação risco-benefício desses exames, considerando o
risco atribuível de surgimento de casos de câncer induzido
pelo exame e o benefício que o procedimento trará para a
pergunta clínica em questão.
Descritores: Radiação. Diagnóstico por imagem. Neoplasias.
Ionizing radiation in cardiovascular imaging and the risk of neoplasia
The use of cardiac imaging tests with ionizing radiation has
increased substantially in the last years, with a 6 fold increase
in the total number of tests performed when compared to the
early 1980s. Cancer risk attributable to this increase in
radiation exposure is yet uncertain but this concern has
resulted in many publications and studies which have
significantly increased in the last years. Radiation by imaging
tests may be measured in different ways but none of them
directly assess its effects in human organs. Therefore, all
radiation exposure figures estimates are based on theoretical
models that intend to enable extrapolations of the different
methods, forms of exposure and effects on each tissue. The
biological effects of radiation are a special focus of attention
since the relationship between carcinogenesis and radiation
has been well documented based on exposures in accidents
and previous wars. However, the use of these models to
establish the actual risk of developing neoplasias from
radiation derived from cardiac imaging is still
controversial. In low doses, the use of linear models may
overestimate these risks, although, it is known that there
is no minimum threshold for radiation to be considered
absolutely safe. In face of these facts, the clinical
cardiologist should always consider the risk-benefit ratio
of these tests, considering the risk of cancer due to
exposure and the benefits the procedure will provide.
Key words: Radiation. Diagnostic imaging. Neoplasms.
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