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Volume 19 - Número 04 - Outubro / Novembro / Dezembro- 2009

:: Radiação ionizante em imagem cardiovascular e risco de neoplasias

Autor: Juliano de Lara Fernandes, Carlos V. Serrano Jr., Paulo Hoff


O uso de exames de imagem com radiação ionizante vem crescendo de forma substancial na cardiologia nos últimos anos, tendo sido multiplicado em até seis vezes o número total de exames realizados atualmente, em comparação com 1980. Os riscos de câncer associados a esse aumento ainda são incertos, mas a preocupação com o fato gerou diversas publicações e estudos que se intensificaram nos últimos três anos. A radiação por exames cardiológicos pode ser medida de diversas formas, porém nenhuma delas diretamente em órgãos humanos. Assim, todas as estimativas de radiação são baseadas em modelos teóricos, que tentam possibilitar extrapolações entre os diversos métodos, diferentes formas de exposição e efeitos sobre cada tecido. Esses efeitos biológicos são particularmente foco de atenção, uma vez que a relação entre carcinogênese e radiação foi bastante documentada a partir dos efeitos de acidentes ou guerras prévias. Porém, o uso desses modelos para se estabelecer o risco real de desenvolvimento de neoplasias a partir da exposição a radiação em exames radiológicos ainda é bastante controverso. Nas situações de baixas doses, em especial, o uso de modelos lineares pode superestimar esses riscos, embora, conservadoramente, se saiba que não existem níveis mínimos considerados totalmente seguros no que tange a essa exposição. Diante desses fatos, o cardiologista clínico deve sempre pesar a relação risco-benefício desses exames, considerando o risco atribuível de surgimento de casos de câncer induzido pelo exame e o benefício que o procedimento trará para a pergunta clínica em questão.

Descritores: Radiação. Diagnóstico por imagem. Neoplasias.



Ionizing radiation in cardiovascular imaging and the risk of neoplasia

The use of cardiac imaging tests with ionizing radiation has increased substantially in the last years, with a 6 fold increase in the total number of tests performed when compared to the early 1980s. Cancer risk attributable to this increase in radiation exposure is yet uncertain but this concern has resulted in many publications and studies which have significantly increased in the last years. Radiation by imaging tests may be measured in different ways but none of them directly assess its effects in human organs. Therefore, all radiation exposure figures estimates are based on theoretical models that intend to enable extrapolations of the different methods, forms of exposure and effects on each tissue. The biological effects of radiation are a special focus of attention
since the relationship between carcinogenesis and radiation has been well documented based on exposures in accidents and previous wars. However, the use of these models to establish the actual risk of developing neoplasias from radiation derived from cardiac imaging is still controversial. In low doses, the use of linear models may overestimate these risks, although, it is known that there is no minimum threshold for radiation to be considered absolutely safe. In face of these facts, the clinical cardiologist should always consider the risk-benefit ratio of these tests, considering the risk of cancer due to exposure and the benefits the procedure will provide.

Key words: Radiation. Diagnostic imaging. Neoplasms.

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