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Autor:
Julio Cesar Batista ferreira, Juliane Cruz Campos, Patricia Chakur Brum
O treinamento físico aeróbio caracteriza-se por promover sobrecargas
intermitentes ao coração, diferentemente do que acontece
nas doenças cardiovasculares e nos fatores de risco como a
hipertensão arterial, em que a sobrecarga cardíaca é constante.
A sobrecarga volumétrica imposta ao músculo cardíaco durante
o treinamento físico resulta em aumento do estresse na parede
ventricular esquerda. Na tentativa de minimizar esse estresse
de parede, vias de sinalizações intracelulares cardíacas são
ativadas com o intuito de remodelar o coração em resposta ao
estresse mecânico e neuro-humoral associado ao treinamento
físico. Essa resposta adaptativa de aumentos proporcionais da
cavidade ventricular esquerda e da espessura da parede é essencial
para equalizar o estresse na parede ventricular. Dentre as
vias celulares ativadas e envolvidas na hipertrofia cardíaca fisiológica,
destaca-se a via da fosfatidilinositol 3-quinase, uma
vez que sua ativação promove hipertrofia cardíaca associada a
ganho de função ventricular. As vias celulares envolvidas no
remodelamento cardíaco decorrente do treinamento físico aeróbio
diferem das ativadas na hipertrofia patológica, como a via
da calcineurina. Em recente pesquisa realizada pelo nosso grupo,
o treinamento físico aeróbio minimizou o remodelamento
cardíaco observado na insuficiência cardíaca em animais. Esse
fenômeno decorreu da reorganização da ativação das vias celulares
no cardiomiócito, em que foi observada importante desativação
da via celular patológica dependente de calcineurina.
Neste artigo será abordada a importância do remodelamento
cardíaco fisiológico pós-treinamento aeróbio, abrangendo alguns
mecanismos celulares envolvidos nessa resposta. Será também
abordado o papel do exercício físico na reversão do remodelamento
cardíaco patológico observado na insuficiência cardíaca.
Descritores: Exercício aeróbico. Hipertrofia cardíaca. Insuficiência
cardíaca.
Endurance training and cardiac remodeling: functional and molecular basis
Endurance training is characterized by the promotion of
intermittent overloads to the heart, as opposed to cardiovascular
diseases and risk factors such as hypertension, where cardiac
overload is constant. Endurance training-induced volumetric
overload increases left ventricular wall stress. In order to
minimize this heart wall stress, cardiac intracellular signaling
pathways are activated to remodel the heart in response to
endurance training-induced neurohumoral and mechanic stimuli.
This adaptation response with proportional increases of the left
ventricular cavity and wall thickness is essential to equalize
ventricular wall stress. Among different activated cellular
pathways involved in physiological cardiac hypertrophy, the
phosphatidylinositol 3-kinase pathway plays an important role,
since its activation promotes cardiac hypertrophy and improves
left ventricle function. Cardiac cellular pathways involved in
cardiac remodeling due to endurance training differ from those
activated during pathological hypertrophy, such as the
calcineurin intracellular pathway. In a recent study carried out
by our group, endurance training minimized cardiac remodeling
in heart failure in animal models. This is due to the reorganization
of cellular pathway activation in the cardiomyocyte, where a
significant calcineurin-dependant pathological cellular pathway
inactivation was observed. In this review, we describe the
contribution of physiological cardiac remodeling after exercise
training, including some of the cellular mechanisms involved in this
process. We also highlight the anti-remodeling effect of endurance
training on pathological cardiac remodeling in heart failure.
Key words: Exercise, aerobic. Cardiac hypertrophy. Heart
failure.
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