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Volume 20 - Número 2 - Abril / Maio/ Junho- 2010

:: Células endoteliais circulantes, progenitoras endoteliais e micropartículas

Autor: Carolina Nunes França

:: ÍNDICE

A disfunção endotelial está associada ao desenvolvimento e às complicações da aterosclerose e pode ser um marcador do risco cardiovascular. Em situação fisiológica, ocorre equilíbrio entre a erosão da monocamada de células endoteliais e a capacidade de reposição dessas células para a manutenção da homeostase vascular; porém, quando a perda do endotélio, quer por erosão quer por apoptose, superar a capacidade de reposição celular ou se as células endoteliais não preservarem suas propriedades características, ocorre disfunção endotelial. Biomarcadores de função endotelial compreendem características das células endoteliais que possam ser mensuradas. Entre os novos biomarcadores da função endotelial, um grupo de marcadores do turnover dessas células tem sido proposto: células progenitoras endoteliais, células endoteliais circulantes e micropartículas de diferentes populações celulares. Por serem mediadores do balanço homeostático endotelial, células progenitoras endoteliais, células endoteliais circulantes e micropartículas oferecem um meio não-invasivo para estimar a competência vascular. Níveis de células progenitoras endoteliais podem aumentar em eventos agudos, como no infarto do miocárdio ou quando existe dano vascular. Porém, fatores de risco cardiovascular reduzem o número de células progenitoras endoteliais. Micropartículas são pequenos fragmentos liberados pelas células (endoteliais, plaquetárias, etc.) após sua ativação ou apoptose, presentes tanto em indivíduos saudáveis quanto naqueles com doenças cardiovasculares. Plaquetas são as células que liberam maiores quantidades de micropartículas no sangue, embora outras populações celulares também originem micropartículas. Níveis elevados de micropartículas endoteliais têm sido encontrados na síndrome coronária aguda, na doença arterial periférica e em indivíduos expostos a fatores de risco cardiovascular. O cálculo da razão micropartículas endoteliais/células progenitoras endoteliais tem sido proposto como um possível índice refletindo o desequilíbrio entre dano endotelial e capacidade de reparo. Esse índice poderá permitir uma avaliação prospectiva da competência vascular e das influências da terapêutica, especialmente com estatinas, na restauração da disfunção endotelial, e também parece uma justificativa plausível para a redução das taxas de desfechos cardiovasculares observadas nos ensaios clínicos. No entanto, é necessário melhor entendimento dos processos de lesão e reparo endoteliais para transpor essas informações para a prática clínica.

Descritores: Células endoteliais. Endotélio/anormalidades. Aterosclerose/complicações. Medula óssea. Marcadores biológicos.


Circulating endothelial cells, endothelial progenitor cells and microparticles

Endothelial dysfunction is associated with the development of atherosclerosis complications and may be a marker of cardiovascular risk. In physiological conditions there is a balance between the erosion of the endothelial cell monolayer and the ability of the regenerated endothelium to maintain vascular homeostasis; however, when there is loss of endothelial cells, due to erosion or to apoptosis, surpassing the capacity of endothelial regrowth, or if these cells do not preserve their protective characteristics, the endothelium becomes dysfunctional. Endothelial function biomarkers comprise measurable characteristics of endothelial cells. Among new biomarkers of endothelial function, a group of markers of the turnover of these cells has been proposed: endothelial progenitor cells, circulating endothelial cells, and microparticles of different cell populations. As mediators of endothelial homeostasis, endothelial progenitor cells, circulating endothelial cells and microparticles are non-invasive means to estimate vascular competence. Endothelial progenitor cell levels may increase in acute events, such as in acute myocardial infarction or in vascular injury. However, cardiovascular risk factors reduce the number of endothelial progenitor cells. Microparticles are small fragments released by activated or apoptotic cells (endothelial cells, platelets, etc.) found in healthy individuals and among those with cardiovascular diseases. Platelets are the cells that release the greatest amount of microparticles in the blood, although other cell populations also produce microparticles. Higher levels of endothelial microparticles have been found in acute coronary syndrome, peripheral arterial disease and in patients with cardiovascular risk factors. The endothelial microparticles/endothelial progenitor cells ratio has been proposed as an index to evaluate the balance between endothelial injury and repair capacity. This index may enable a prospective assessment of vascular competence and the effect of therapies, mainly with statins, on endothelial dysfunction amelioration, and it is also a feasible explanation for the cardiovascular risk reduction observed in clinical trials. However, a better understanding of endothelial injury/repair processes is required to translate this information into clinical practice.

Key words: Endothelial cells. Endothelium/abnormalities. Atherosclerosis/complications. Bone marrow. Biological markers.

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